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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Nenhuma surpresa... (INT x VAS)

Perder para o Internacional no Beira-Rio não é vergonha para ninguém.
Oscilações de posições no disputadíssimo campeonato deste ano não são novidade para ninguém.
Jogar mal de vez em quando, ainda mais desfalcado, é algo que acontece com todos os que estão na ponta.
Ser descaradamente prejudicado pelo péssimo quadro de arbitragem da CBF é recorrente para o Vasco.

A partir destas quatro afirmações, digo também que não será surpresa que a completa negligência da mídia com relação à vergonha da partida de hoje será a tônica. Não foi o Vasco que fez vergonha: apenas perdemos. E todos perdem e ainda perderão. Basta que recuperemos um pouco. Não vi apenas o prejuízo ao Vasco, mas o nítido favorecimento indireto ao Corinthians. Ora, numa rodada teoricamente fácil para o clube paulista, temos seu principal concorrente prejudicado por um penalti ridiculamente não marcado e uma falta que originou um gol ridiculamente marcada. Vale lembrar que o fim do returno do Corinthians é também em teoria O MAIS FÁCIL de todos os seus concorrentes. O Internacional é apenas o menor dos beneficiados.

Para não falar mais dos outros e dos absurdos, começo a falar de Vasco diretamente. Ainda que tenhamos perdido e ficado nos 50 pontos, estamos nitidamente em posição de franca disputa pelo título. Basta tropeçarmos uma vez a menos que o Corinthians e não perdermos por completo a vantagem que temos sobre todos os outros. Precisaremos superar muita coisa: as partidas difíceis fora de casa (como a próxima contra o Atletico-PR), os demais confrontos diretos (que ainda estão todos por acontecer, como disse no último post sobre o Brasileirão), os constantes desfalques que vêm aparecendo e todas as outras forças escusas que estão para além do futebol em si.

Isso não é de agora: começou com o Campeonato Brasileiro, ficou marcado com a conquista da Copa do Brasil e precisa continuar para ser coroado com o penta. Não estamos ainda no momento do campeonato em que uma partida ruim nos tira do páreo, nem no momento em que uma vitória nos daria a grande chance de título. Do jeito que as coisas andam, isso só vai acontecer lá pelas três últimas rodadas. Se não é motivo de desespero, essa é ao menos mais uma situação em que poderíamos ter garantido uma posição bem mais confortável na tabela. Não deu. Vamos para a próxima: enquanto pegaremos o enfraquecido e desesperado Atlético-PR fora de casa, Corinthians terá uma partida difícil contra o Botafogo, São Paulo terá outra contra o Inter e Flamengo e Fluminense pegam partidas em casa contra times que estão mais para o meio que para a ponta da tabela. 

Teremos outra boa oportunidade de recuperação e, talvez, outra possibilidade de assumir a ponta novamente. Basta que afundemos o Atlético-PR e que o Corinthians tropece para que subamos. Precisamos aproveitar, e, para isso, precisamos de rendimento maior dos nossos jogadores-chave e da nossa maneira de jogar: a articulação no meio, a marcação nesse setor, o centro-avante e Diego Souza precisam recuperar junto com o time.

Na partida de hoje, faltou uma maneira de tomar a bola do colorado. Nosso sistema defensivo ficou enfraquecido não só pela ausência de Dedé e pela contusão de Eduardo Costa, mas pela tarde bastante mediana de Romulo, pelo comum vagar de Felipe Bastos e pela falta de preparo de Felipe, que está retornando de cirurgia. Com isso, ficou difícil marcar a velocidade e habilidade do Inter e o posicionamento falhou algumas vezes.

Mas mais do que isso: uma marca do Vasco jogando foi tomar a bola e saber o que fazer com ela, tomar a bola e jogar com qualidade coletivamente. Quem poderia fazer isso por nós hoje? Felipe voltando de cirurgia no joelho apareceu relativamente bem apenas no fim do primeiro tempo e não voltou para o segundo; Diego Souza jogou mais adiantado do que de costume; Felipe Bastos não tem tanta qualidade assim; e Romulo alterna momento de classe na saída de bola com momentos de total inaptidão para a função. Esse problema não foi resolvido. Na melhor das hipóteses, podemos afirmar que foi atenuado pelo posicionamento recuado de Éder pela direita.

Não é de hoje que precisamos superar os centro-avantes fracos que temos no elenco para conseguirmos bons resultados. Vínhamos conseguindo superar essa fraqueza com as boas articulações pela direita, com as boas atuações de Diego Souza e com lampejos destes mesmos centro-avantes. Hoje nada disso funcionou muito bem: não conseguíamos marcar bem e segurar a bola, menos ainda atacar com grande qualidade.

Todos estes problemas não são apenas técnicos como vem sendo destacado até aqui. Há questões táticas a serem vistas. Entramos em campo com um 4-3-3 com dois centro-avantes: Diego Souza (com mais liberdade para recuar pela esquerda) e Alecsandro e com um meio-campo pouco povoado, mas sólido defensivamente pelas presenças de Romulo e Eduardo Costa, complementadas pelo recuo de Felipe, Éder pela meia direita e Diego pela esquerda. Esse esquema favorece a marcação recuada, próxima à zaga, porque se os volantes saírem para o combate faltam jogadores de cobertura efetiva dessa saída.

Quer dizer, o posicionamento abaixo, por si só já indicava uma outra maneira de jogar:




Por mais que seja uma formação com 3 atacantes, jogar assim é mais defensivo do que nosso 4-4-2 em suas variações. Isso porque com 3 jogadores originalmente no meio, precisávamos esperar mais para dar o combate. Enquanto o recuo aberto de Éder protegia Fagner e preparava contra-ataques por ali, Felipe recuava na marcação junto a Jumar e Diego Souza, originalmente centro-avante, vinha centralizado para puxar contra-ataques pelo meio. Isso difere da formação da transição gradual para o ataque: Felipe centralizado na meia, Diego Souza como centro-avante que recua para a ponta-esquerda e Éder Luís na habitual ponta direita. Isso só era possível por termos dois volantes de boa marcação em campo:



Porém todo esse esquema deveria ter sido mudado com a saída de Eduardo Costa. Mas não foi: Felipe Bastos como volante não poderia fazer aquela função. A ilusão de um possível bom rendimento veio com lampejos de Felipe na organização. O problema é que perdemos um volante que é bom defensivamente porque se esforça muito, se posiciona bem e marca razoavelmente e é limitado ofensivamente para a entrada de outro que é mediano defensivamente porque não se esforça, tem um posicionamento razoável e marca mal, apesar de ser melhor ofensivamente. Era o momento de recuar Diego Souza para a meia esquerda e formar o 4-4-2 clássico ou até mesmo em losango.

Voltamos para o segundo tempo sem Felipe e com Diego Rosa. Sem um grande articulador, tivemos ainda mais motivos para jogarmos no 4-4-2. Mas Cristóvão manteve o 4-3-3 com três volantes de origem, onde dois deles se apresentavam ao ataque e Éder recuava da ponta direita para a respectiva meia a fim de buscar jogo, enquanto Diego Souza saía da posição de centro-avante para chegar um pouco mais de trás como ponta esquerda. Estava decretada a não-ofensividade, mesmo com três atacantes, porque não criávamos; e decretava-se também a falta de marcação no meio, porque faltava quantidade e qualidade na zona intermediária para parar não apenas os meias do Inter, mas também os volantes que chegavam com frequência e qualidade.



Com isso, consolidou-se o domínio colorado na partida. Se esboçamos algo no fim do primeiro tempo, no segundo nem isso: apenas alguns lances isolados. O Inter fez seu gol, o Vasco sofreu seu penalti não marcado, o Inter não sofreu a falta marcada de onde saiu o gol e depois matou completamente a vitória sólida sobre o Vasco. Eles mereceram. Jogamos muito mal tecnicamente e taticamente também: estamos tão acostumados a jogar forçando a marcação na intermediária, por que não optamos por fazer isso novamente?

A teimosia só foi dar lugar a alguma razão quando saiu Alecsandro para a entrada de Bernardo. Com um centro-avante apenas, Éder na ponta direita e 4 jogadores no meio, jogamos no esquema que deveríamos desde o início. Mas sem resultado algum. Isso tem motivos: o jogo já estava morto e continuamos sem um articulador, pois Bernardo não sabe jogar nessa função: ele tem que ser o meia-atacante que chega muito em velocidade ao ataque seja pela ponta seja tabelando pelo meio. Se não for assim, é muito difícil que ele renda.

Ora, fizemos uma péssima partida, cheios de desfalques, sem peças de reposição que responderam à altura e com a arbitragem contra. Estamos em segundo lugar, apenas um ponto atrás do líder temporário. E a mídia diz que "a mulambada chegou". Há momento mais propício para fazermos valer o "contra tudo e contra todos" que sempre disse quem é o Vasco?

Termino por aqui.

Abraços a todos!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um empate amargo... (FIG x VAS)

Amargo porque foi uma vitória em campo, mas empate no placar eletrônico.

E sendo o placar eletrônico o que importa, depois dessa frase não falarei mal da arbitragem nem do gol perdido por Diego Souza. Dos últimos 12 pontos disputados, conquistamos 7: isso dá um aproveitamento de menos de 60%. Abaixo do que precisa um campeão, e mais abaixo ainda do necessário para um campeão que pega uma sequência relativamente fácil de jogos. 9 dos 12 seria muito bom, mas, pensando nos 18 do primeiro terço do turno, podemos fazer 13 deles, o que seria um aproveitamento de 72%.

Apesar de dois tropeços, podemos ainda galgar uma boa recuperação e assumir a ponta. Não da maneira ideal para essas seis primeiras partidas, em que não seria absurdo conseguir 100% de aproveitamento. Trabalhemos, porém com a realidade. E, apesar do empate, a realidade me animou um pouco. Os motivos da animação: por mais que receba críticas, Cristóvão está melhorando um pouco. Não podemos esperar que ele fosse fazer o time jogar como o Gomes fazia, então o fato de ele colocar o time do seu jeito de modo que deveríamos ter ganho do Figueirense fora de casa é animador: ele está evoluindo. O segundo motivo é que Vitor Ramos também está evoluindo na posição: acho que o Renato Silva voltará definitivamente ao banco.

O Cristóvão vem se mostrando um cara muito mais preocupado com a marcação no meio que o próprio Ricardo Gomes. Na derrota para o América-MG ele declarou que o meio estava fraco, e contra o Figueira entrou com três volantes. De início xinguei, mas entendi depois. Cristóvão quis um meio-campo combativo para anular as armas do Figueirense. E para isso, deslocou também Éder Luís para a ponta esquerda: ali ele não funciona bem ofensivamente, mas foi importante para conter o lateral deles, que vem sendo importante. Daí, depreende-se que Cristóvão tem leituras táticas interessantes do adversário, e vai na escola de Gomes de adaptar o time a cada situação de jogo.

É por isso, então, que entramos assim:



Um 4-4-2 em losango, com dois volantes reforçando a marcação nas alas e saindo para o jogo alternadamente, sendo o Allan mais requisitado para isso. Isso aconteceu porque Fagner precisa de um jogador junto dele e porque Éder foi deslocado para a ponta esquerda enquanto Diego Souza ficava mais centralizado. Inicialmente, tivemos problemas de marcação e cobertura, mas isso foi lentamente se ajustando. Após o susto logo aos 4 minutos do primeiro tempo e da sortuda recuperação posterior, o Vasco foi crescendo e encurralando o Figueirense. A vitória parecia tornar-se questão de tempo.

Apesar disso, nem tudo foram flores. Parece que a vontade de anular as armas do Figueira foi maior que a vontade de fazer o time do Vasco funcionar. Ainda que na prática, em termos de bola na rede e domínio da partida tenha funcionado parcialmente, não nos deu os três pontos. A dupla Fagner e Allan é nitidamente menos efetiva que a dupla Fagner e Éder (e ainda menos efetiva do que quando temos por ali um trio); nossa articulação na saída de bola ficou um pouco prejudicada e as jogadas para o centro-avante foram ainda menos recorrentes. Faltou equilíbrio entre o "jogar"  e o "impedir que joguem".

No segundo tempo, a pressão na base da vontade e da marcação no meio campo começou a funcionar mais, e criamos mais chances. Ainda que não tenha sido um jogo bonito, nada normal justificava aquele empate. O Figueirense resolveu retrancar. Por isso, apesar das críticas, achei que o Cristóvão acertou nas substituições. Jumar, segundo os jogadores, vinha sendo ameaçado pelo juíz e Elton estava jogando como sempre. Nada mais justo, portanto, que tirar os dois: Diego Rosa surpreendeu por não comprometer na lateral esquerda e Kim entrou bem em campo depois que Cristóvão pediu que ele fizesse a ponta direita bem aberto.

Ficamos, então, com um 4-4-2 que se transformava em 4-3-3 muito frequentemente. Essa transformação se dava porque Diego Souza fazia as vezes de centro-avante nas jogadas ofensivas enquanto Allan se deslocava para a armação inicial dos ataques. Perdemos em qualidade no meio, pois Allan não é nenhum craque e apresenta deficiências para atuar como meia, mas ganhamos numa maneira de abrir a retranca catarinense e na posse de bola adiantada com Diego Souza, que protege muito bem a bola. De uma jogada emblemática em que Éder fechou da ponta esquerda para o centro e recebeu visando colocar Diego na cara do gol que saiu o lance que prometi não comentar.


Podemos ver, portanto, que o Cristóvão pode apresentar coisas interessantes ao Vasco. Por mais que receba críticas e as mereça em determinados momentos, nossa torcida está mais uma vez exagerando. Ele deveria colocar o Bernardo? Acredito que sim. MAS essa alteração poderia provocar dois efeitos, dependendo de quem saísse: queda da proteção do meio-campo, tirando Felipe Bastos (que, como sempre, entrou mal); ou falta de referência no meio e ataque, tirando Diego Souza (que estava mal também, mas poderia ter sido decisivo em mais de um lance). Quer dizer, Cristóvão estava diante de uma escolha complicada. Eu escolheria enfraquecer o meio, mas consciente de que não mexer não foi um erro grave. Nenhum técnico é obrigado a fazer 3 substituições: estávamos dominando daquela maneira, e era questão de tempo para sair o gol. Será mesmo que Bernardo resolveria?

Ao técnico, faltou equilíbrio e talvez ousadia. Não para fazer uma escalação inicial diferente, mas para fazer o Vasco jogar mais e colocar o time pra cima na hora certa. Aos jogadores, faltaram algumas atuações individuais melhores: Fagner, Diego Souza, Felipe Bastos, Elton; já destaco positivamente Vitor Ramos (não que tenha ido muito bem, mas melhorou), Romulo (esse sim jogou muito) e Éder Luís (que fora de posição conseguiu incomodar).

Mais do que nunca, estamos OBRIGADOS a ganhar 6 pontos nas próximas duas partidas. Infelizmente, as coisas estão indo pior do que eu acho que seria o ideal, mas não estão irrecuperáveis. Antes mesmo de adquirir gordura pra queimar nós a queimamos, o que exigirá de nós uma campanha muito mais justa para o pentacampeonato. É perfeitamente possível e, repito, dependeremos da nossa torcida!

Um abraço a todos!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Na Sul-Americana, time campeão precisa... (Pal x Vas)

Amigos,

Como no último post disse que time campeão precisa vencer clássico, sinto agora a necessidade de especificar: isso é assim no Brasileirão. Na Sul-Americana, mata-mata de curto prazo, a idéia que faz mais sentido é avançar etapa por etapa para a próxima fase. Perdendo por 3 a 1, com vários reservas em campo e com a cabeça em outro jogo, fizemos exatamente nosso dever. Da maneira mais apertada, mas para o resultado final isso não importa.

Basta lembrar que nossa taça na Copa do Brasil veio também de maneira sofrida e conturbada. Em mata-mata, a filosofia é outra. E, se agora passamos por uma pedreira, temos a tranquilidade de que o próximo jogo já é internacional (contra times potencialmente mais fracos que o Palmeiras) e apenas daqui a um mês. Até lá, já será necessário confirmar que lutaremos pelo Campeonato Brasileiro também, numa afirmação cotidiana, diferente. E isso tem que começar ganhando o clássico. Isso é essencial, porque jogaremos para trás um adversário histórico e porque entraremos com força no nosso momento teoricamente mais fácil da tabela: o início do returno.

Para isso, é fundamental vermos a derrota contra o Palmeiras como um objetivo conquistado com o esforço mínimo. Parece um contra senso, mas lembremos que na Sul-Americana basta ir adiantem em jogos esparsos enquanto o Campeonato Brasileiro é muito mais desgastante e dependente e resultados expressivos. Que consigamos, então, um resultado expressivo contra o fRamengo. Resultado este que só virá com motivação. Aí reside um pequeno problema. Uma boa vitória contra o Palmeiras seria essa motivação natural. 

Mas, se fome, dor, frio e outras sensações são psicológicas, tratemos então essa derrota como a vitória que de fato ela foi. Cheguemos no Domingo com a sensação de embalo que uma boa vitória dá. Clássico tem que jogar com o coração pra garantir a força da torcida vascaína. Isso precisa somar com o elenco que temos, no geral, melhor que o dos mulambos para que consigamos garantir a vitória. Perdemos ontem, não porque temos um elenco ruim ou por falta de vontade. Vejamos:

Entramos em campo com: Prass; Allan, Dedé, Renato Silva, Marcio Careca; Romulo, Jumar, Diego Souza e Bernardo; Leandro e Elton. Um 4-4-2 no papel. Ofensivamente, porém, tivemos praticamente um 4-3-3. Os comentaristas afirmaram o tempo todo que o Palmeiras corria riscos porque chegava ostensivamente com 4 homens ao ataque, como se não estivéssemos fazendo isso por mais da metade do jogo. A diferença é que Diego Souza subia um pouco menos que Valdivia, preenchendo mais o meio-campo, e que o Palmeiras pôde por um bom tempo dominar as ações do jogo marcando no ataque com estes 4 homens.

Quer dizer: na hora de atacar os dois times foram ofensivos, mas o Palmeiras o foi também na hora de defender. Isso significava um Palmeiras compacto na frente e atrás, diferente da comum estratégia Vascaína de compactar defensivamente e abrir a formação na hora de atacar para forçar mais espaços. Assim, sofríamos pressão direta no nosso setor defensivo, no meio-campo e no ataque e tínhamos dificuldades na saída de bola. Foi esse o tudo-ou-nada suíno, que quase deu certo porque seu preparo físico estava muito em dia e porque não soubemos aproveitar os espaços atrás da zaga que um time que marca compacto e adiantado cria.

Faltou o jogador que dá a enfiada de bola perfeita para o atacante que sobe em velocidade pelas pontas, que também estava faltando. Nosso time misto em campo não nos permitia jogar assim. Não que ele seja fraco (porque Diego Souza, Bernardo, Allan e até mesmo Leandro e Elton têm características interessantes), mas, novamente, o problema foi uma mistura de méritos táticos de Felipão / Murtosa, proposta de jogo vascaína e falhas individuais, que renderam dois gols ao Palmeiras.

Os méritos táticos de Felipão e Murtosa já foram citados. Qual foi, então, a proposta de jogo do Vasco? Entramos em campo para marcar com solidez e sair com velocidade e jogando aberto (para tentar abrir também o compacto Palmeiras), mas nossa proposta de velocidade foi diferente daquela dos dois últimos jogos contra o verdão. Se naqueles nos baseamos em lançamentos e nas subidas de Éder Luís, dessa vez procuramos o toque curto e rápido no meio-campo buscando a transição. Era, mais ou menos, o melhor que podíamos fazer mesmo com esse time.

Jumar e Romulo não são ruins se fizerem o simples e óbvio com a bola nos pés, Diego Souza não é o jogador dos passes geniais (e sim da força física com a bola no pé) e Bernardo é aquele meia atacante que é quase um ponta: veloz, habilidoso, mas com sérias dificuldades se precisar se posicionar bem para armar e distribuir. Nosso jogo de toques rápidos no meio-campo, então, não podia depender muito de nenhum dos nossos jogadores do setor, porque não era a praia de nenhum deles. É mérito de Ricardo Gomes a relativa eficiência com que fizeram isso: mostra que o treinador montou uma estratégia e passou a semana treinando-a técnica e taticamente.

Se tudo isso era ruim, qual foi nosso escape? A ponta direita. Allan estava bem individualmente no setor ofensivo, e triangulou com certa desenvoltura com Leandro principalmente. Este não pode fazer o foguete que faz Éder Luís, mas vem progressivamente retirando de mim a ideia de que ele é horrível. Na atual fase, ele é apenas ruim mesmo. É um atacante que parece ter mais massa cinzenta e melhor articulação para tentar variar o jogo, mas vem esbarrando na questão técnica e física mesmo. Não poderíamos mesmo esperar muito da esquerda, onde Marcio Careca ficou mais preso na defesa e quando subiu escolheu sempre as alternativas erradas. Me recordo de três lances em que ele apareceu com espaço pra fazer o que quisesse no ataque, e que Elton aparecia livre na marca do penalti. Mas nosso lateral insistia em chutes muito ruins: será que seria pior se tivesse tentado cruzar? Só Deus sabe.

Vejamos ilustrando:
Reparemos aqui: a centralidade de Diego Souza, a posição de Bernardo aberto e avançado na esquerda (limitando inclusive as possibilidades de Marcio Careca subir, graças ao divino) quase como uma dupla de pontas com Leandro (4-3-3 clássico), o espaço ofensivo que Allan tinha disponível e a subida alternada dos volantes como surpresa, principalmente de Jumar. Estes são os destaques do ataque.

Mais uma vez, tivemos diferenças defensivas: marcamos na clássica formação de duas linhas de 4. Nesse caso, apesar de compactos, protegíamos menos o meio em favor da tentativa de desencorajar a subida dos laterais palmeirenses, já que eles jogavam também com dois pontas. Para compensar, uma marcação mais mordida e avançada de um volante, enquanto o outro se preocupava mais com a zaga. Esse foi o motivo para o fato de Jumar ter sofrido tantas faltas: impecável na marcação avançada, roubava muitas bolas antes que os adversários chegassem e sofria a falta. Merece destaque também o comportamento de Renato Silva: novamente, fizemos uma marcação semi-exclusiva sobre Kléber. Quando ele vinha de trás tínhamos uma marcação em zonas comum, mas quando ele saía da posição de centro-avante para receber na intermediaria Renato Silva estava lá junto, enquanto Jumar ocupava seu espaço na zaga.


O primeiro gol, que levamos por um escorregão do Allan e um descuido de Dedé ainda no começo do primeiro tempo, não alterou a maneira de jogar do Vasco, mas nitidamente preocupou os jogadores, que jogaram um pouco desestabilizados. Saímos para o intervalo com Dedé dizendo que não podíamos ficar atrás. E não podíamos mesmo.

O retorno para o jogo foi melhor que seu começo, mas o que poderia ser tranquilidade deu logo lugar a muita ansiedade porque sofremos logo o segundo gol num erro de passe de Jumar no meio campo, quando ele tentava exatamente a estratégia dos passes rápidos no setor. Descontado não muito depois pela pintura do mesmo Jumar, que será lembrado por isso, o gol que nos garantiu a classificação, e não pelo erro. As substituições de Ricardo Gomes fizeram aparecer algo que eu havia dito que há muito ele não usava: o losango no meio-campo.



Fagner veio para a lateral e Allan para o bico direito do losango, enquanto Felipe Bastos ocupou o lado esquerdo com Romulo centralizado defensivamente e Diego Souza ofensivamente. Bernardo apareceu mais ainda na posição de ponta, com alguma liberdade para se deslocar também para a direita. Esse lado do campo não perdeu povoamento com a saída de Leandro porque Allan apareceu muito ali em dupla com o agora lateral Fagner, fazendo boas jogadas ofensivas, mas enfraquecendo a direita defensiva. Na esquerda, Careca apareceu mais, mas não aproveitou nada das oportunidades de fazer algo útil que teve.

O jogo ia assim terminando tranquilo até o momento da terceira substituição vascaína, apenas burocrática para fazer passar o tempo. Ninguém imaginava que o garoto Victor Ramos entraria apenas para fazer a falta que originaria o gol de Assunção. O árbitro encerrou a partida ali mesmo e para a sorte (e sobrevivência) do garoto, nos classificamos.

Repito: uma derrota que tem que ser tratada como vitória para que ganhemos o embalo contra o clássico. Jogamos relativamente mal, por algumas limitações no time que entrou em campo com relação ao esquema tático do Palmeiras. Mas avançamos. Era esse o objetivo.

Agora com o discurso de focar no Brasileirão, espero que Ricardo Gomes consiga motivar bem o elenco para o clássico. Não tenho dúvidas de que teremos um Vasco bem-treinado e com uma estratégia e disposição tática condizentes, até porque poupamos jogadores para isso. Mas sabemos que a mulambada virá também assim, apesar de termos mais conjunto que eles. Isso faz com que o diferencial de todos os clássicos valha: o coração.

Momento, não canso de dizer, crucial para o Vasco na competição. Depois do Flamengo, teremos nosso momento mais tranquilo, na teoria, do campeonato. É, então, vencendo um jogo difícil que precisamos iniciar uma arrancada.

Abraços!