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domingo, 21 de agosto de 2011

Time campeão precisa... (Vas x Flu)

Time campeão precisa ganhar clássico!

Infelizmente minhas expectativas ficaram pra trás. Um Fluminense em crise e desacreditado conseguiu ser superior técnica e taticamente ao nosso Trem Bala da Colina. Isso quer dizer que estamos mal? Não. Mas é um importante alerta. Nosso fim de Brasileirão será muito complicado, e precisamos ganhar os clássicos cariocas se quisermos realmente a taça. Não foi hoje o clássico mais importante do primeiro turno, mas foi a preparação para ele. Poderíamos ter garantido a possibilidade de entrar em campo no fim de semana contra o urubu por cima na tabela.

Claro que o empate de hoje não foi de todo ruim, já que a rodada de nossos adversários mais diretos foi também ruim. Mas é nesses momentos que o time campeão mais precisa se diferenciar. Aproveitar as oportunidades mais difíceis nas rodadas mais favoráveis. Não é o fim do mundo, e nem foi um empate para nos tirar as esperanças porque continuamos no bolo de cima da tabela, próximos do primeiro colocado. Mas o momento mais propício a uma arrancada vascaína está próximo e precisamos garantir a ponta e uma certa folga no nosso momento mais fácil do segundo turno para que consigamos administrar a disputa pelo título no fim com mais folga.

Historicamente, nada para o Vasco é fácil. A conquista da Copa do Brasil mostrou isso e me motiva a desde hoje dizer: o Vasco começou o campeonato buscando, e o terminará na disputa sem facilidade, mas brigando pelo título. Para garantir isso, precisamos já vencer o Flamengo. E uma etapa dessa vitória será a disputa pela classificação contra o Palmeiras na Sul-Americana. Ainda que seja um outro campeonato, é uma partida importante, onde não podemos relaxar. Conhecendo nossa torcida, precisamos mais do que nunca de ânimo durante a semana para lotar o Engenhão no fim dela. E isso será importante.

Após as conjecturas, comentemos diretamente a partida. Há muito tempo não víamos o Vasco sendo inferior por todo o tempo. Foi essa a tônica da partida, que poderia ter terminado pior. Nossa sólida zaga estava num dia de produzir perigo contra o próprio patrimônio mas, alguma força superior fez com que o ataque colorido fosse menos efetivo que de costume. O meio-campo estava menos bem colocado defensivamente do que de costume, o que complicou nossa vida pelas laterais, ao mesmo tempo que não foi muito efetivo na organização e transição para o ataque: fomos "vítimas" de um grande povoamento tricolor no meio, abafando nossa transição e, por vezes, a própria saída de bola. E o ataque não se mostrou muito diferente: Alecsandro mal na função e Éder Luís esforçado, mas pouquíssimo efetivo.

Hoje, não vencemos nem convencemos. Nos momentos iniciais da partida perdemos Julinho, antes que o time pudesse se ajustar em campo ao jogo tricolor. A entrada precoce de Eduardo Costa deslocou Jumar para a esquerda, de maneira que tivemos uma figura já recorrente. Curioso, parece que Ricardo Gomes agora resolveu optar por definir um padrão tático. Há algumas partidas (não muitas, mas já temos algo significativo), atacamos num 4-4-2 clássico e nos defendemos com uma linha de 3 volantes, com um meia à sua frente. Após tantas vezes afirmar que o Vasco apresentava uma vantagem ao não possuir um padrão mas estar sempre bem-treinado, vejo o Vasco repetir não a escalação, mas a maneira de jogar, nas últimas 4 partidas.

Claro que existem pequenas diferenças, inclusive em função da escalação do time e na variação ao longo da partida. Mas este me parece um dado significativo. Será que jogaremos assim também contra Palmeiras e Flamengo? Será que Felipão conseguirá fechar mais o cerco ao nosso esquema caso o repitamos? Vejam as semelhanças:


Ofensivamente,  tivemos como tônica a função organizadora de Juninho e Diego Souza entrando mais pela ponta esquerda, mas com alguma liberdade para outros posicionamentos. Da mesma forma, a função de Éder Luís foi repetida ofensivamente, saindo em velocidade pela ponta direita para jogar principalmente com Fagner, mas também com Juninho em tabelas, o que foi bastante trabalhado. A única diferença, mais sutil, nessa questão foi o aparecimento de Eduardo Costa com funções mais avançadas no meio campo: distribuir jogadas simples pela meia esquerda, o que ele fez relativamente bem, já que subir não é a praia de Jumar. Fora isso, nada fora dos padrões, inclusive a má atuação de Alecsandro.

Defensivamente tivemos uma tática ligeiramente diferente. Éder Luís não foi mais o responsável pelo combate inicial na ponta esquerda, posicionando-se mais à frente e, ainda assim, terminando o jogo bastante cansado. Seria, talvez, o caso de poupá-lo em algum momento próximo para procurar uma recuperação do atacante (claro que as próximas duas partidas não são bons momentos para tal). Jumar foi importante na marcação, e posicionava-se como um terceiro zagueiro quando o Fluminense atacava pelo outro flanco, o que lhe criou problemas para acompanhar as viradas de jogo tricolores reposicionando-se como lateral. Á frente da zaga, uma linha de três volantes, onde Juninho muito exigido marcou menos que de costume, não deu tanta proteção aos laterais. Isso foi compensado pela boa marcação de Jumar na esquerda, mas Fagner encontrou dificuldades, apesar de uma boa avaliação pessoal do jogador.

Assim, Dedé e Romulo foram constantemente vistos na cobertura do setor. Isso, que não vinha acontecendo, me parece a mudança táticatime compacto.

A estratégia não foi muito efetiva, pois naturalmente exige mais esforço e preparo físico ao chamar o adversário e necessitar de saída em velocidade descompactando a formação. Isso, pra mim, não é retranca como se poderia pensar. É apenas um estilo de jogo: esse foi um bom comentário feito no PFC, que constatou essa diferença entre os esquemas de Gomes (compacto, marcando atrás) e Abel (esparso, com marcação consideravelmente mais adiantada).

No segundo tempo a queda de rendimento de Éder Luís e Juninho motivou mudanças: Bernardo e Leandro. Mudanças diferentes das últimas partidas, pois o contexto era outro. Mas taticamente, o mesmo quadro. Leandro buscava fazer a função de Éder e Bernardo caía para a meia esquerda de Diego Souza, que ficou na função de Juninho. Infelizmente, Diego estava também num dia desligado, que fez lembrar a sonolência de um passado recente. Ofensivamente, uma pequena mudança. Na defesa, algo um pouco mais consistente: Diego Souza não compôs tanto a linha de 3 volantes, posicionando-se, em alguns momentos, à frente de Romulo e Eduardo para distribuir as jogadas para Bernardo e Leandro, que jogavam pelas pontas:

Durante toda a partida, portanto, tivemos um Vasco desequilibrado entre as laterais ofensiva e defensivamente. Este me parece o maior destaque. Enquanto o flanco direito ofensivo era superpovoado com Fagner, Éder Luís (Leandro) e Juninho, o lado esquerdo ficava dependente de Diego Souza (Bernardo) com jogadas individuais que poderiam ter funcionando se eles estivessem num bom dia. Já defensivamente, o lado direito mostrou-se mais frágil porque em vez de Fagner ser o responsável pela cobertura, era dele o primeiro combate na maioria das situações enquanto no lado esquerdo tínhamos Jumar que quase nunca compromete em suas funções defensivas.

Além desse desequilíbrio, observamos, novamente, as teimosias de Ricardo Gomes. É um dos melhores do Brasil, mas seria ainda melhor se escolhesse com alguma lógica aparente seu centro-avante. Após um post inteiro sobre o trabalho do centro-avante no meio desta semana, onde mais uma vez comentei que escolher entre Elton e Alecsandro é uma questão de momento, não vejo justificativa para a escolha do segundo, ainda que no geral e na carreira ele seja realmente melhor que Elton. Insisto que o ideal é mantermos um dos dois por 90 minutos, mas não vi motivo para que Elton fosse novamente barrado. Soma-se a isso a mesma insistência com Leandro, atenuada pelo cansaço de Éder, mas ainda assim inexplicável.

Termino o post reiterando: apesar de uma má atuação, não há motivos para pessimismo com relação ao todo do campeonato. Todos tropeçam, e todos tropeçaram nessa rodada. Dos maus resultados, o nosso foi o "menos pior", pois foi num clássico e nos manteve basicamente inalterados no bolo que, hoje, disputa o campeonato. O momento bom para o destaque ainda não é esse.

Updates: algumas coisas que pensei e acabei esquecendo de comentar no decorrer da análise:

-A falta de Felipe foi nítida hoje por dois motivos: não temos nenhum outro jogador canhoto para a meia e ele é craque. Nos resta esperar que sua cirurgia seja um sucesso e que retorne logo. Foi surp´reendente saber que ele estava jogando no sacrifício desde o ano passado.

-O nosso problema com os centro-avantes poderia, talvez, ser resolvido com Diego Souza. Lembrando do comentado no último post, ele tem um domínio e proteção da bola infinitamente superior ao de Elton e Alecsandro. Se não jogarmos sobre ele a responsabilidade do gol em si, ele pode dar um bom pivô como já foi insinuado em outras situações em que ele entrou como centro-avante

Que nos incentivemos com uma vitória sobre o Palmeiras!
Abraços!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

São Paulo X Vasco: sinceramente, o inesperado.

Amigos, não esperava, sinceramente, tal vitória e mais, tal exibição numa partida fora de casa contra o São Paulo.

Não por causa dos tabus que foram repetidos trocentas vezes na mídia. Sinceramente, dou pouquíssimo valor a eles. Não que eu não achasse a vitória possível, ela era. Mas esperava uma partida muito mais complicada e o Vasco organizado especificamente para jogar no contra-ataque.
Grata surpresa. Apesar de vários blogueiros conhecidos e reconhecidos terem afirmado a dificuldade da vitória, opto por esvaziar um pouco este argumento. E preciso dar os principais créditos: Ricardo Gomes. Todas as críticas repetidas aos quatro ventos, inclusive aqui, tornam-se pequenas. Pequenas não apenas por causa dos resultados, mas porque nosso técnico vem demonstrando uma qualidade muito grande, vem demonstrando ter o elenco nas mãos e, além disso, vem superando as críticas. Tira-nos os motivos, que já eram minimizados, para falar mal.

Tenho pra mim, também, que quando o técnico é o maior elogiado e responsabilizado pelo êxito, é injustiça não elogiar o grupo. O Vasco enquanto grupo jogou uma partida marcada pela maturidade, pelo esforço, pelo comprometimento. E tudo isso, na base da conversa, funcionou bem após a consolidação do esquema de marcação no lado esquerdo, próximo da metade do primeiro tempo.

Elogiando técnico e grupo, aproveito para fazer alguns destaques individuais. Da zaga para o ataque: Dedé foi novamente excepcional, justificando a cada dia sua convocação; o comentado penalti de Anderson Martins, que pra mim seria uma marcação extremamente difícil pra qualquer árbitro do mundo, não tira seu valor; Rômulo e Jumar foram muito bem para garantir a consistência defensiva, reforçada posteriormente pela entrada em grande estilo de Eduardo Costa; Diego Souza nos mostrou mais uma vez que, quando se esforça, desequilibra; e Alecsandro e Fagner destoaram do time: o primeiro, apesar do habitual esforço, foi pior do que de costume e o segundo não foi tão mal quanto se comenta, mas precisa melhorar.

Esta partida serviu para reforçar as variações táticas do Vasco. Esta, inicialmente, fcou prejudicada pela falta de treinos ao exibir uma inconsistência defensiva na direita, corrigida no decorrer da partida:
Reparem que o losango, menos consistente defensivamente, foi "abandonado" por Ricardo Gomes nessa partida. Decisão prudente. Penso, porém, que esse abandono não será completo. Apostaria que nas partidas em casa, teoricamente mais fáceis nosso técnico retomará a formação com o meio em losango. Mantivemos, porém, a cobertura dos laterais feita pela zaga, e não pelos volantes.

Tendo essa formação sido abandonada, Romulo é deslocado da posição em que estava jogando melhor (entre os zagueiros) para fazer as vezes de primeiro volante pela direita (por isso, ele vem sendo alvo de pequenas críticas nas últimas partidas: agora ele precisa fazer algo com a bola) para fazer dupla com Jumar pela esquerda. Aparece, porém, a variação que nos causou problemas: Jumar se deslocava para a lateral esquerda na posição de Julinho. Não tínhamos, porém uma troca simples nesse momento. Não faria sentido ter como volantes Romulo e Julinho. A situação se desenhava diferente:

 
Tínhamos, momentaneamente, Julinho jogando na posição de sua estréia: a meia-esquerda. Assim, nossa esquerda defensiva, que estava frágil, ganhava consistência por duas vias: reforço de marcação na zona (um volante na lateral e um volante marcador protegendo o meio) e possibilidade de infiltração do meia pelas costas dos marcadores. Com essa variação ajustada, conseguimos equilibrar a partida, apesar de ainda menos perigosos nas finalizações e penetrações na defesa são-paulina.

O retorno para o segundo tempo veio com a troca de Juninho por Felipe. Isso impossibilitou a continuidade da variação de posicionamento Jumar-Julinho. Simplesmente porque tínhamos um jogador ocupando a meia esquerda de maneira fixa. Era obrigatório, então, fixar também Jumar como volante e Julinho como lateral, o que inspirava cuidados pela ofensividade do São Paulo no setor e pela pouca aptidão defensiva de Julinho. Ilustro essa mudança aproveitando para introduzir o que gerou nosso segundo gol: o posicionamento recuado de Éder Luís nos momentos de defesa. A finalidade? Tanto ajudar na marcação, quanto ter um jogador pronto para puxar o contra-ataque. Assim se postava o Vasco defensivamente:

Tínhamos um grupo extremamente compacto para reduzir os espaços do São Paulo. Isso foi muito efetivo defensivamente, facilitando o trabalho da nossa zaga e garantindo o grande destaque para o setor da defesa. Entretanto, um sistema assim exige saída de bola precisa e muito veloz. Foi o que tivemos a partir da roubada de bola do Dedé, do belo passe de Diego Souza e da incrível velocidade de Éder Luís, que subiu muito bem-posicionado ao contra-ataque. Jogada digna em estar presente em um manual de futebol, sob o título: "como contra-atacar".

Se essa jogada me encheu os olhos, encheu também os dos tricolores. De lágrimas. Mas mais me encheu os olhos a postura do Vasco depois de fazer o gol. Dado o contexto de uma partida fora de casa contra um time muito bom e bem posicionado no campeonato, esperei uma retranca ferrenha. Fizemos, porém, algo que Ricardo Gomes havia introduzido no Cariocão mas deixado para trás: ganhamos o jogo no meio-campo. Toque de bola tranquilo e envolvente, possível apenas com boa movimentação e posicionamento, esperando o momento certo da incisão. Vi muitos comentários de um "Vasco cirúrgico".

Soma-se a isso o meio-campo combativo, que poupou muito do trabalho de Dedé, Martins e Prass. Demos graças à entrada de Eduardo Costa no lugar de Julinho, cansado. Com isso, temos nova alteração: Jumar vai para a lateral esquerda, Romulo volta a ser volante por este flanco e Eduardo "leão" Costa entra na sua posição ideal. Se a velocidade não é sua grande arma, a inteligência e a garra compensam: ele foi o responsável por pressionar o meio campo São-Paulino e impedir sua progressão. Além disso, qualificou um pouco o primeiro passe da saída de bola, contribuindo para mantermos a posse e chegando timidamente ao ataque.

Não há como negar, portanto, a fundamental importância do volante que, aposto, ganhará a vaga de titular contra o Santos. O cansaço de Éder Luís e a entrada de Leandro não trouxeram mudança de posicionamento: o atacante reserva entrou para fazer tudo o que fez Éder Luís. Com o mesmo grau de esforço, mas com um grau muito menos de efeito e objetividade. Uma alteração para manter a tática e prender a bola.

Estratégia perfeita. E coroada pela bela jogada do segundo gol: passe para Jumar, que ameaça ir ao Fundo e centraliza rasteiro para Felipe acertar um belíssimo chute de primeira. Jogada de lateral, sem cruzamento pelo alto (estou decidido a abrir um consultório esotérico-astrológico para profecias: nem só de cruzamentos se faz um lateral).

Terminamos com a moral lá no alto. Uma atuação mais bela do que o que vi em algumas das análises que acompanho, e importante para tentarmos afundar o perigoso Santos e, assim, quase anular suas chances de disputar no alto da tabela. Jogaremos em casa contra um time ofensivo e perigoso individualmente, que joga na velocidade. Espero uma estratégia defensiva semelhante: time compacto, com dedicação na marcação e dois volantes centrais (acredito em Eduardo Costa e Rômulo, já que Jumar deve aparecer na lateral esquerda).

E espero também que Ricardo Gomes cumpra o que disse há algum tempo atrás: o Vasco não joga com esquema de marcação individual. Acho perigoso designar um volante para grudar em Neymar e outro em Ganso, pois os volantes santistas são perigosos e porque num esquema desse, se acontecer o drible o time desorganiza muito mais. Preferiria uma marcação por setores com uma cobertura mais apertada. 

Especulo isso, porém, com algum receio. Teremos uma partida difícil, mas que precisaremos ganhar de qualquer maneira, já que o desmepenho de nossos adversários mais diretos foi positivo nas duas últimas rodadas, enquanto nesta apenas recuperamos o que foi perdido para o Bahia. É justamente essa a hora de ganharmos e secarmos, porque nosso final de turno é extremamente difícil, ao passo que nosso início é mais tranquilo. É fundamental nos mantermos no bolo dos primeiros colocados para tentarmos adquirir "gordura pra queimar" no início do segundo turno.

Um abraço a todos!



domingo, 24 de julho de 2011

Grata vitória, e convincente! (ATL-MG X VAS)

Olá amigos,

Foi muito bom ver a atuação vascaína de hoje, porque ela nos mostra que temos alternativas, que temos possibilidades, que não somos estritamente dependentes do Rei e do Maestro. É claro, existiram problemas e críticas, mas apenas em duas condições: em situações individuais específicas e, novamente, nas substituições de Ricardo Gomes. Deixemos para o final, pois estes problemas foram minimizados pela boa atuação do conjunto, inclusive na questão tática, que nos trouxe uma alternativa interessante.

Vencer o Galo mineiro fora de casa foi um passo importante na campanha, que recupera para nós dois dos pontos perdidos em empates infantis passados e que, por isso mesmo, nos aproxima muito do vice-líder. Enquanto na quinta-feira (contra o Bahia) teremos uma partida cuja obrigação de vencer é do Vasco, São Paulo e fRamengo terão partidas fora de casa, o que dificulta sua situação e pode nos render uma melhor posição na tabela.  Essa vitória tem algumas componentes interessantes, que merecem destaque:

- Mantivemos a formação em 4-4-2, mas com a composição e formação do meio campo organizadas de maneira diferenciada, e com trocas de posição interessantes: Julinho e Diego Souza, Diego Souza e Éder Luís;
- Além da diferença na porção ofensiva do meio-campo, defensivamente tivemos também diferenças, pois Rômulo não mais atuou como volante entre os zagueiros, mas alinhou-se com Eduardo Costa, onde o primeiro defendia a esquerda e o segundo a direita;
- A função tática do estreante (com o "pé esquerdo") Julinho também merece ressalva nesta análise: um meia-esquerda muito aberto, jogando em constantes ultrapassagens com Márcio Careca fez com que a lateral direita atleticana tivesse que ficar presa defensivamente, enfraquecendo o frequente jogo aéreo mineiro, que funcionou mais pela nossa direita defensiva.

Destacar estes três pontos servem para reforçar a idéia batida no blog, mas pouco presente por aí, de que time que é bem treinado taticamente não precisa de padrão. Ora, vínhamos há três partidas jogando com o meio-campo em losango e com um volante marcador (mas três jogadores no meio aplicados defensivamente), mas pela impossibilidade da presença de Felipe (suspenso) e Juninho (poupado), observamos um esquema que fatalmente será repetido ao longo do ano, já que temos um campeonato longo e que as estrelas do time naturalmente precisam de mais descanso.

Hoje, por isso, entramos em campo com dois volantes marcadores e dois meias muito menos preocupados com a marcação, apesar de merecer destaque a aplicação defensiva de Diego Souza (que hoje estava com disposição, e não fez jus à alcunha de soneca) e Julinho em momentos específicos da partida. Defensivamente, não havia grande modificação de posicionamento. Entramos em campo com um 4-4-2 diferente do de costume. E mais que isso: diverso dentro do diferente. 



Este era o posicionamento no qual o time se apresentou na maior parte do tempo. Os zagueiros cobriam as laterais e os volantes ocupavam seus espaços; Fagner e Marcio Careca receberam boa liberdade de subida (o que prendia as ofensivas atleticanas pelos flancos); compensada por um meio campo consistente defensivamente e centralizado ofensivamente em Diego Souza enquanto Julinho abria quase na ponta esquerda; no ataque, Éder Luís posicionava-se para subir principalmente na ponta direita e puxar contra-ataques em velocidade, enquanto Alecsandro ora posicionava-se como centro-avante clássico ora vinha buscar o jogo a partir da meia, o que prejudicou um pouco sua participação na partida.
1)

2)

3)


Entretanto, foi possível encontrar algumas vezes durante a partida três variações táticas. 1) Julinho posicionado pela direita e Diego Souza na esquerda (troca de posições entre os dois); 2) Diego Souza na posição de atacante pela direita, significando Éder Luís recuado no mesmo flanco; e 3) uma combinação das duas anteriores, em que Julinho apresenta-se na meia-direita, Diego Souza no ataque pela direita e Éder Luís recua centralizado no meio campo (nessa situação, aconteceu nosso primeiro gol).

Assim, como o próprio Felipe já jogou nesse Vasco, tínhamos um sujeito canhoto na meia direita, o que favorece levantamentos da intermediária (primeiro gol) e a centralização do jogo com enfiadas de bola (o que não foi o caso do Julinho, mas é o que Felipe fazia). O recuo de Éder Luís com o avanço de Diego Souza garantia uma outra característica ao time, pois ficávamos com dois homens de frente com força física e, temporariamente, com dois centro-avantes em campo aliados a um meio campo de grande velocidade com Julinho (que deu lugar ao destro Bernardo na meia esquerda, fazendo o que fez o estreante no lado oposto do campo) e Éder Luís.

Aí entra a crítica a Ricardo Gomes: fora a substituição, natural diga-se de passagem, de Julinho por Bernardo nosso técnico fez mais substituições "seis-por-meia-dúzia", que foram a entrada de Jumar e Élton. Poderíamos adaptar a célebre frase para: "em esquema que está jogando melhor não-se-mexe", pois o Vasco no segundo tempo dominava amplamente o Galo. Mas, considerando o fato de que Alecsandro e Eduardo Costa não se cansaram, não vi motivo para substituí-los a não ser a entrada de jogadores completamente descansados. Manter em funcionamento um esquema tático que estava superando o do adversário é um atenuante, junto ao fato de que ele atrasou menos a entrada de "sangue novo" na partida, já que antes dos 20 minutos do segundo tempo Bernardo estava em campo. Ainda assim, demorou um pouco e as críticas merecem o registro.

Este jogo aberto nas laterais e com variações táticas pontuais mas destacadas no decorrer da partida fez com que o Atlético dependesse de um jogo centralizado com lançamentos ou de levantamentos na área vascaína. Felizmente, dessa vez não tivemos problemas sérios com a marcação dos cruzamentos. Méritos, novamente, da ótima disciplina tática que Ricardo Gomes consegue impor. Levamos, porém, nosso gol numa situação que foi recorrente no decorrer da partida  e merece, mais ainda, a crítica: foram constantes os "cochilos" individuais. Márcio Careca no lance do gol e em outros momentos; Rômulo repetidamente na sua nova função em que às vezes precisa fazer alguma coisa com a bola; e em menor escala, Fagner, Diego Souza e Alecsandro também apresentaram pequenos apagões que poderiam ter comprometido.

O que não foi surpreendente foi a entrada de Élton: nitidamente no apagão constante, lento e pouco aplicado. Repito, substituir Alecsandro por Élton no decorrer do jogo para tentar reverter a situação (em que ainda empatávamos) não é nada mais que queimar uma substituição e, mais ainda, queimar tanto Élton (que entra pra tentar ser o salvador da pátria em menos de 10 minutos de partida) quanto Alecsandro (que sai como o centro-avante que não fez seu dever). Ambos são de um nível muito parecido, mas Alecsandro está estimulado e Elton desanimado com a reserva. É nítido que o treinador precisa escolher um e sustentá-lo em campo pelos 90 minutos.

Até porque tivemos muitos exemplos de que alterações no meio-campo, mais especificamente a entrada de Bernardo, tem surtido mais efeito para reverter placares indesejados. Mais uma vez, Bernardo entrou em campo com bastante vontade e sofreu o pênalti que garantiu nossa vitória. Aconteceu a tempo de evitar que Alecsandro fosse crucificado pelo pênalti perdido, pois nos garantiu a vitória.

Ao final da partida, estava nítido um Vasco que se comportou como sua grandeza manda. Progressivamente foi se impondo sobre o dono da casa, animado por uma torcida vascaína bastante presente e atuante para uma partida fora de casa. Valeu a máxima de que o Vasco da Gama NUNCA joga fora de casa estando dentro do Brasil.

Como já disse, precisamos novamente, no meio da semana, fazer vencedora a Cruz de Malta numa importante partida contra o Bahia. Isso passa pela torcida, pelas atuações individuais, e também pela recomposição tática do time após esta boa partida. Fico me perguntando se Ricardo Gomes insistirá no losango com Rômulo, Juninho, Felipe e Diego Souza. Particularmente, espero que sim.

Saudações Vascaínas!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Vasco da Gama X Cruzeiro: esperava diferente...

Olá amigos,

Ao final do primeiro tempo já havia decidido qual seria a temática da análise da partida entre Vasco e Raposinha. Ficará nítido: o Vasco entra em campo e se posiciona no 4-4-2 mais clássico de todos.



Tudo friamente calculado, já sabendo que enfrentaríamos o técnico brasileiro mais retranqueiro de todos os tempos. Tão calculado, que Ricardo Gomes não previu apenas a retranca, mas sua eficiência nos contra-ataques. Para neutralizar, simples: marcação adiantada por setores, de maneira que quando nosso flanco direito avançava na marcação, o esquerdo recuava e se centralizava para fechar os espaços: essa é a cautela necessária numa situação de marcação avançada e pressionando, pois os lançamentos tornam-se perigosos demais.

Ofensivamente, favorecemos o jogo pelas laterais e pontas para tentar furar a retranca joelina. Se não fosse a aversão de Éder Luís a algo chamado GOL, teríamos saído do primeiro tempo com um número diferente de zero ao lado do nosso nome no placar eletrônico. Éder foi altamente eficiente para furar em velocidade e com habilidade a retranca da formação em duas linhas defensivas de Joel, porque ao cair pelas duas pontas para receber lançamentos (novamente, destaque para Dedé), enfiadas e bola e triangulações principalmente com os laterais (que estão bastante avançados) as oportunidades apareceram de maneira bastante nítida. Mas não coloquemos toda a responsabilidade sobre o Éder, pois apesar de um início mais difícil, as bolas começaram a chegar ao Alecsandro e ele também não fez sua principal função.

Ainda ofensivamente, setor que mais temos que falar pois foi o que mais trabalhou, gostaria de destacar a variação de posicionamento dos meias e a chegada "surpresa" de Eduardo Costa. Em articulação com os laterais, foi isso que nos possibilitou criar algum perigo. Ainda assim, terminamos o primeiro tempo inoperantes.

Terminamos de um jeito, começamos do mesmo. Mesma formação, inicialmente a mesma pressão. Mas um descuido exatamente com a eficiência dos times do Joel, com sua fórmula mágica (nada mágica) que todos conhecem: retranca e bola parada. Um gol que levamos de maneira recorrente nos últimos jogos. E por isso, não podemos culpar nosso técnico. Infelizmente, nossa defesa teve uma atuação rídícula naquele lance. Gol por bola alçada na área: isso dará margem a inúmeras reclamações sobre a falta de qualidade dos cruzamentos dos nossos laterais, mas sustento a posição de que essa não é a principal característica deles e que, portanto, não podemos esperar cruzamentos magistrais.

Hoje, porém, não posso deixar de comentar as mudanças de Ricardo Gomes. Seu estilo "seis por meia duzia" sempre na metade do segundo tempo não foi nada interessante para um Vasco perdendo e ensaiando uma pressão sobre o Cruzeiro. Ramon por Marcio Careca e Elton por Alecsandro não muda nosso time em absolutamente nada. Por que não fazer algo mais ousado, por mais que nosso banco de reservas estivesse desfalcado do nosso maior trunfo?

Ricardo Gomes continua reproduzindo o clássico 4-4-2 que não estava sendo efetivo, mantém a formação e depois vai para o "tudo ou nada" colocando Leandro em campo, no lugar de Eduardo Costa. E é no tudo ou nada que levamos mais dois gols em falhas defensivas totalmente compreensíveis num momento em que o desmonte do esquema tático vascaíno, que atacava desorganizado e com quase todos os jogadores, já era nítido por questões emocionais. Tanto no lance do belo gol de Montillo e no lance do penalty de Dedé nosso sistema defensivo se resumia a Fernando Prass, Anderson Martins e Dedé, por onde sairam os gols.

Diego Souza não existiu em campo. Por que não colocar o Leandro no seu lugar e partir para o 4-3-3, centralizando o Felipe (que não vinha bem, mas costuma render por ali em seus lampejos)? Essa deveria ter sido a primeira substituição! A partir daí, teríamos a opção de colocar ainda o Allan no lugar do Eduardo Costa, atuando como um volante bem ofensivo, ou mesmo como meia ao lado do Felipe!

Ainda assim, resta dizer que foi uma vitória da eficiência. Isso resume o jogo.

Novamente, começamos muito eficientes na defesa e fomos pouco eficientes no ataque. É esse o padrão do Vasco da Gama que temos visto. E falo em padrão para introduzir o assunto da promessa da última postagem: havia três opções de temas para falar nessa partida. Como disse no início, logo escolhi falar da variação tática do Vasco, mas esperava falar com ânimo. O Vasco não apresenta um padrão nítido. Atuamos a cada partida em uma forma diferente de 4-4-2, com variações entre ataque e defesa em quase todas elas, e já utilizamos também um 4-5-1 pouco comum. Mas todas as formações taticamente muito bem organizadas: todos sabiam suas funções e foram disciplinados taticamente, ainda que possamos destacar boas e más atuações individuais.

O que gostaria de ressaltar é que isso demonstra uma atitude deliberada da comissão técnica. Tudo é pensado, treinado e planejado segundo o adversário que enfrentaremos. Hoje deu certo no primeiro tempo e em parte do segundo (se não fosse a falta de gols), até o momento em que ficamos em desvantagem. Contra o Dragão goiano, o mesmo: uma proposta para furar a retranca que deu certo rápido e uma proposta defensiva de contra-ataque. Para evitar descrições inócuas, imagens valem mais que mil palavras: revejamos algumas pranchetas representativas do que digo: para refrescar a memória melhor, sugiro que os que se interessarem dêem uma olhada nas análises anteriores. Ficará claro o que resumo abaixo.
Ceará X Vasco











Grêmio X Vasco











Atlético - GO X Vasco:











Notemos, então, amigos que em cada uma dessas partidas, e também na de hoje, utilizamos formações e variações diferentes. Contra o Ceará, ficamos no 4-4-2, variando de losango para quadrado no meio; contra o Grêmio saimos do 4-4-2 em losango para terminar a partida num 4-5-1 com Éder Luís compondo o meio; e contra o Atlético - GO jogamos quase o tempo todo em 4-5-1. Ora, vemos que Ricardo Gomes usa bem as variações do 4-4-2, e traz um diferencial europeu: o forte treinamento tático. Nosso time se organizou bem de acordo com a proposta em cada uma dessas oportunidades. A variabilidade aumenta se lembrarmos a semi-final contra o Avaí na Ressacada, onde usamos o 4-4-2 clássico, algo próximo de um 4-3-3 e uma formação que daria para chamar de 4-5-1, posicionando Rômulo como zagueiro.

Termino, então a porção temática do post com uma pergunta: um padrão tático específico é realmente necessário? 

Acho que minha resposta a essa questão fica óbvia.

Um abraço,
nos recuperaremos contra o Corinthians!